Ansiedade: evite os “criminosos alimentares”
Entenda como a cafeína e o açúcar contribuem para o aumento do nível de ansiedade
O consumo de café faz parte da nossa cultura e frequentemente é visto como uma ajuda. Porém, o que poucos sabem é que ele aumenta o nível do neurotransmissor norepinefrina no cérebro, que deixa a pessoa alerta e acordada, e aumenta a atividade do sistema nervoso simpático e da adrenalina da mesma forma que uma situação de estresse faria. A cafeína também “sequestra” a vitamina B1 (tiamina), que é uma das vitaminas conhecidas como antiestresse. Ou seja, apesar de deixá-lo mais desperto, o excesso de cafeína pode mantê-lo cronicamente tenso, agitado, mais suscetível à ansiedade.
Como regra geral, o ideal seria consumir menos de 100 miligramas de cafeína por dia a fim de minimizar seu efeito ansiogênico. Isso equivale a uma xícara de café coado ou a uma lata de refrigerante do tipo cola por dia, no máximo. É válido lembrar que é grande a variação individual quanto à sensibilidade à cafeína. Alguns podem tomar várias xícaras de café com efeitos mínimos, enquanto outros facilmente perceberão a agitação causada por uma única xícara de café. Sabemos que alguns não vivem sem grandes doses diárias de cafeína, mas o incentivo à redução do consumo dá-se exatamente para que você diminua ao máximo os danos que a cafeína pode causar à sua saúde e ao seu bem-estar físico e psicológico.
Inimigo oculto
Como nossos corpos não estão preparados para processar rapidamente altas doses de açúcar (do modo como consumimos hoje em dia), isso resulta em um desequilíbrio crônico no metabolismo do açúcar. Em alguns casos isso significa altos níveis de açúcar no sangue, hiperglicemia ou diabetes. Para muitos, no entanto, o problema é o contrário: quedas periódicas no açúcar sanguíneo que desencadeiam uma condição chamada hipoglicemia. Seus sintomas surgem quando a glicemia (nível de açúcar no sangue) cai a menos de 50 ou 60 miligramas por mililitro ou quando há uma queda repentina de um nível alto para um mais baixo. Isso ocorre cerca de duas a três horas após uma refeição, ou pode ocorrer em resposta a uma situação estressante, já que o corpo queima açúcar muito rapidamente quando está sob estresse. Os sintomas são:
- sensação de cabeça aérea;
- nervosismo;
- tremores;
- sensação de falta de equilíbrio ou fraqueza;
- irritabilidade;
- palpitação.
Veja com atenção, que sintomas são esses? São também os sintomas de ansiedade! Para alguns casos, as reações de ansiedade podem ser na verdade causadas pela hipoglicemia. Por isso a ansiedade diminui ao comermos alguma coisa, porque aumenta nosso nível de glicemia.
A glicemia entra em equilíbrio quando o pâncreas secreta um excesso de insulina. A insulina é um hormônio que faz o açúcar da corrente sanguínea entrar nas células. Na hipoglicemia o pâncreas tende a exceder a produção de insulina. Se você ingere açúcar demais, pode ter um nível alto temporário seguido, meia hora a uma hora depois, por uma queda abrupta em resposta à produção excessiva de insulina no corpo.
Isso também ocorre em resposta a um estresse súbito ou crônico. Situações estressantes podem levar a uma perda do açúcar sanguíneo. Quando a glicemia cai demais, suas glândulas adrenais entram em ação e secretam adrenalina e corticoides, que o fazem sentir-se mais ansioso e agitado.
O que fazer para evitar a hipoglicemia?
- Elimine ao máximo os tipos de açúcar simples de sua dieta;
- Substitua doces por frutas;
- Reduza ou elimine o amido simples como massas, cereais refinados, batata, arroz e pão branco. Substitua-os por carboidratos complexos como pães e cereais integrais;
- Entre as refeições faça lanches compostos por carboidratos complexos e proteína.
Fonte: BOURNE, E.; GARANO, L. Acabe com a Ansiedade Antes que Ela Acabe com Você – 10 maneiras simples para aliviar a ansiedade, o medo e as preocupações. São Paulo: Editora Gente, 2008. 191 p.